Vamos iniciar essa postagem com a seguinte frase:
"Se você não beber, quais vão ser as histórias que tu vai contar?"
Fui questionado sobre meu desgosto por beber até ficar totalmente pirado e ser 250% mais aberto, depressivo, falante e outros sintomas de quem bebe em excesso. Na moral, não preciso disso para ter boas histórias para contar, afinal, eu bebo socialmente e acabo entrando na vibe dos que enchem a cara, mas com sobriedade suficiente para não falar tudo que sinto, faço e até mesmo aquelas coisas que guardamos apenas para nós mesmos, entende? Porque sempre existem fatos sobre seu "eu" que não revelaria nem mesmo pro seu analista (bah, eles fazem com que você fale, no fim das contas).
No entanto, estou me apressando muito. Vamos começar da maneira apropriada: um dia eu tive doze/treze/catorze anos de idade. Todos tiveram. Infância pode ser uma fase muito dura da sua vida porque tu não sabe direito o que esperar do futuro, em quem se espelhar ou o que fazer em relação aos outros, fingindo ser mais maduro e atrair atenção ou simplesmente ser criança. E às vezes o fato de você simplesmente agir como a criança que você é pode ser muito, muito ruim. Paguei muito caro por gostar de jogar bola (e ser um fracasso nisso, detalhe), de desenhar, assistir desenhos antes do colégio e jogar videogames ao contrário da maioria dos meus amigos, que já estavam envolvidos em coisas que não condiziam com suas idades, como festas, pegação desenfreada e outras coisas que não merecem uma citação.
Ou seja, o tão falado bullying formou quem eu sou hoje, seja meu caráter, minha ideologia e pensamentos (e é justamente por isso que sou a favor deste, se for de maneira "controlada", se é que existe massacre social controlado), e sou inteiramente grato por isso, pois isso me deu a noção suficiente para não encher a cara e passar por mais humilhações. Já tive minha cota disso. No entanto, alguns amigos meus queriam ver como é chegar no estado máximo de bebedeira para que pudessem analisar o porquê de muitas, muitas pessoas por aí fazerem o mesmo. E eu acho que no evento social mais recente de minha diminuta vida, eles provaram muito bem o máximo daquilo que tentavam alcançar, e garanto: não foi nada bom para eles e muito menos pra mim.
Já disse em outra postagem que acho o fato de pessoas se transformarem completamente quando bebem demais me deixa muito desconfortável, e digo a vocês: é horrível estar sóbrio nesses momentos com um balde na mão ajudando o tal amigo e vendo o vexame que passa diante dos outros mais "experientes", que debocham, riem de maneira patética como se eles fossem muito fodões e que não se propõem a ajudar de verdade, apenas zoar. A festa foi muito boa, pois atestei que jamais ficarei de porre, porém igualmente ruim pelo fato de ver meus bons amigos destruídos por algo tão comerciado mundo afora. Imagino se existem outras pessoas como eu pelo mundo afora...
Um comentário:
Olá Lucas, so vi que você chegou a escrever sobre o que houve agora, e so vi esse "lado" da situação agora também. Fico muito triste que a bebedeira lhe tenha causado desconforto, como eu te disse: a maior parte dos meus outros amigos presentes não se sentiu assim, porém sinto muito.
Mas te garanto que tentar experiênciar isso foi muito bom, não fiquei destruído, arrependido ou qualquer coisa do gênero. Tirando o vomito, que não foi culpa da bebedeira e sim da mistura infeliz de whisky com cerveja, e a zoação, que não levei tão a mal, toda a experiência foi extremamente construtiva em diversos sentidos e muitos porquês ficaram claros.
Infelizmente eu não tenho como te mostrar tudo que aprendi ou compreendi, mas basicamente me libertar das amarras hipócritas de criticar algo sem ter experienciado foi algo que jamais voltaria atrás. Agora eu posso dizer que sei o que é ficar assim, agora eu me sinto confortável comigo mesmo para criticar e falar sobre beber, o que eu sempre me senti hipócrita ao fazer, uma vez que em privei até o presente momento desse aspecto da vida em sociedade contemporânea.
Agora posso dizer que de fato nunca mais ficarei bêbado até este ponto, uma vez que eu não ache que tenha alguns lados negativos, e sim porque -hoje- eu sei que tem.
Grande abraço
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