sábado, 3 de agosto de 2013

Sobre os dezenove.

Bom, como já são 03:22 da madrugada de sábado, 3 de agosto, vou fazer um texto rápido e resumir todos os pensamentos que tenho sobre os meus dezenove anos. E não, meu aniversário não é hoje e sim, amanhã.

Desde pequeno eu nunca tive grandes festas de aniversário e as máximas que eu tive foram duas ou três. Tive algumas festas surpresas no decorrer da minha adolescência, mas nada muito expressivo de verdade. Por isso, eu acho que me acostumei da forma errada a "comemorar" um aniversário. Talvez este seja o principal motivo da segunda coisa... Eu fico depressivo. Muito depressivo. Não sei se é pelo envelhecimento ou a presença bem mais ativa da vida adulta, forçando-me a entrar em seu mundo. Sabe, nunca tive muita facilidade em me adaptar a qualquer mudança repentina (claro que envelhecer não é repentino) e já tenho um histórico nisso. Sabe, meus pais se "separaram" quando eu era jovem e foi bem impactante não ver uma quarta pessoa na casa além de eu mesmo, minha mãe e avó. Repeti uma série no colégio por conta disso. Remete a primeira mais uma vez, afinal, o que é comemorar alguns aniversários sem o pai? Tenho muito medo de não "aguentar" as mudanças. Claro, às vezes mantenho a seguinte ideologia:

"Homens têm de suportar tudo que a vida lhes impõe em silêncio, afinal, no fim você só vai poder contar com você".

Já provei dela e posso confessar que é amarga. Te torna uma pessoa amarga e fechada. Posso ser o poço de expansividade, mas não lhe contarei os meus problemas mais íntimos. Prefiro encará-los sozinho, mesmo sabendo que tenho amigos, uma namorada e uma escassa família. Ah, claro. A família que me resta mora comigo e um deles está bem longe. Meu pai. O bom é que depois de um tempo, nós conseguimos nos acertar - apesar dele ainda ser meio insensível, rs - e ele tornou-se um ótimo amigo com quem posso desabafar algumas coisas. Mas ainda assim, a meu ver, não tenho mais muitas tias, primas, nem tios e nunca serei um, haja vista que sou filho único (até então, vai que, né...).

Perder uma boa parcela da sua família pode ser doloroso, mas, eu já era inteiramente deslocado nela, portanto não liguei muito. Desconsidero todos e a eles, mostro apenas indiferença. Como sabem, eu quero fazer Cinema. Aliás, pretendo entrar em agosto. Por isso, eu me inspiro em qualquer personagem masculino que se assemelha a minha ideologia para cobrir uma figura paterna ausente. O Motorista do filme Drive (2011) [fig.1] é uma das personagens com as quais mais me identifico, um modelo de "homem ideal no qual quero me tornar no futuro", no entanto, também tenho medo, afinal, ele é passivo, desgarrado das coisas, agressivo...

fig. 1, o Motorista
Eu não sei deixar as coisas "irem", como ele fez. Tenho certeza que serei consumido pela amargura minutos depois. Outra figura em quem me espelho bastante para encarar as coisas de uma perspectiva menos "dramática" e mais positiva é o protagonista dos quadrinhos de mesmo nome, Scott Pilgrim. Sua forma de ver as coisas, em como lidar com elas e seu auto-astral apesar de tudo de ruim acontecendo ao redor... Assemelha-se bastante também a figura de Kamina [fig. 2], do anime Tengenn Toppa Gurren-Lagann. São muitos personagens a serem citados e pouco espaço para eles. Todos eles representam uma parcela daquilo que sou ou desejo ser, porém, eu sei que no fim estarei sozinho e fadado a ser apenas aquilo o que eu tiver de ser.

fig. 2, Kamina e seu marcante lema da Brigada Gurren-Lagann: "Superar o impossível e decolar com o momento."

E como eu já disse antes, não gosto muito de revelar sobre mim, portanto, encerrarei aqui a minha postagem, chegando a conclusão de que é mais difícil envelhecer do que eu imaginava. E claro, talvez os oito meses em que estive "parado" em casa de "férias" me trouxeram a esse texto. Com certeza esses oito meses não foram nada bons, principalmente se você não estiver se envolvendo em novas situações, novos lugares... O que aconteceu comigo. Bom, são 04:27 da madrugada de 3 de agosto de 2013 e é assim que me sinto às vésperas de completar 19.

O desejo de ficar sozinho e esquecer essa data.

Um comentário:

Thayla Foxx disse...

Lucas,
Eu sei muito bem pelo que você está passando neste momento - aliás, você esteve comigo na véspera dos meus 19 anos e viu a depressão que bateu em minha porta quando o horário chegou - e sei também que não é fácil lidar com essas mudanças, que teoricamente parecem lentas pois demoram exato um ano para ocorrerem mas que sabemos que são bruscas pois o tempo parece correr mais rápido a cada dia da vida. Quero te propôr que não olhe para esses oito meses que você ficou sem estudar como se estivesse em inércia, pois tenho razão que durante esse tempo você deve ter pensado muito nas coisas da vida adulta, como naquele dia no qual ficamos sentados na rua até as três da manhã. São momentos de inércia como esses que podem ser